Sou instrutora de Yoga e Meditação, praticante há mais de 20 anos, mas não sou imune às dores e tempestades da vida. Ainda sinto, ainda choro, ainda me perco às vezes. Mas o que mais me entristece é que, nesses momentos, quase sempre alguém diz: “Ué, mas você não faz Yoga? Não era pra estar assim…” Como se a prática fosse um escudo que me impedisse de sentir. A verdade é que, se eu não praticasse, poderia estar infinitamente pior. A Meditação e o Yoga não me afastam da condição humana e longe de ser esse o objetivo – eles me ajudam a atravessá-la com mais coragem. E, para quem sente o mundo com tanta intensidade quanto eu, viver nele, hoje, não é nada fácil.
Em meio a tanta coisa que acontece: perdas, frustrações, conflitos, medos, inseguranças, é comum que sejamos arrastados por emoções intensas e pensamentos turbulentos. Nesses momentos, a mente tende a buscar controle ou fuga e o coração se fecha, dominado pela dor, pela raiva ou pela ansiedade. É justamente aí, quando tudo parece instável e fora do lugar, que a Meditação se revela uma âncora silenciosa e transformadora.
Meditar não é fugir da realidade, mas criar espaço dentro de nós para acolhê-la com mais presença. Quando respiramos conscientemente, quando voltamos ao corpo e ao instante presente, começamos a perceber que não somos nossos pensamentos nem nossas emoções. Eles passam, como nuvens no céu. E é nessa observação serena e constante que nasce a equanimidade, a capacidade de permanecer em equilíbrio diante dos altos e baixos da vida.
A prática regular da Meditação nos ensina a observar e não apenas reagir. Diante das adversidades, no lugar de explodirmos ou nos recolhermos em dor, aprendemos a pausar, observar e escolher como agir com mais sabedoria. Isso nos torna também mais compassivos, porque passamos a reconhecer também a dor do outro, percebendo que o sofrimento é uma experiência humana compartilhada. A compaixão nasce da compreensão e a Meditação nos ensina a olhar com mais gentileza, inclusive para nós mesmos.
Com o tempo, desenvolvemos maior tolerância. Percebemos que tudo muda, que nenhum estado é permanente. O que hoje nos parece insuportável pode, com o tempo e o cuidado interno, se tornar uma fonte de aprendizado. Meditar é, portanto, cultivar um solo fértil para o crescimento emocional e espiritual, mesmo (e principalmente) nas fases mais áridas da nossa existência.
A equanimidade, essa serenidade profunda que não nega as emoções, mas não se deixa arrastar por elas, é um fruto precioso da Meditação. Ela não nos torna frios ou indiferentes, mas plenamente presentes e disponíveis, tanto para sentir quanto para agir com clareza e amor.
Nos momentos difíceis, a Meditação não resolve os problemas externos, mas muda profundamente a forma como nos relacionamos com eles. E isso, por si só, pode transformar tudo.